Aristides Sousa Mendes o nosso herói

205

Foi a 17 de junho de 1940, há precisamente 80 anos, que o cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, contrariava as ordens de Salazar e começava a emitir vistos de entrada em Portugal aos refugiados que os solicitassem. 

Estima-se que Sousa Mendes tenha salvado cerca de 30 mil pessoas que apenas tinham a fuga para Portugal como alternativa à prisão e à morte, nos campos de concentração nazis, numa altura em que decorria a II Guerra Mundial.

Aristides de Sousa Mendes nasceu em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal a 19 de julho de 1885, tendo-se mudado para Lisboa em 1907 após a licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra. No ano seguinte casou-se com a prima Angelina, com quem viria a ter catorze filhos.

Figura única da História portuguesa, um ser humano de coração bom, que salvou muitas vidas de um fim trágico. Um caso em que a história portuguesa não tratou bem os seus heróis. 

Aristides de Sousa Mendes passou os últimos anos da sua vida pobre e sem família. Foi obrigado a vender tudo o que tinha para pagar dívidas e sobreviver com dificuldade. Nunca lhe foi reconhecida a bondade dos seus atos em vida.

E assim, veio a falecer a dia 3 de abril de 1954, em Lisboa, num hospital Franciscano. Diz-se que a sua única companhia era uma sobrinha. O estado de Aristides, um homem outrora habituado a luxos, era tão miserável, que foi enterrado sem fato, num traje cedido por caridade.